MEU CAMINHAR NA EDUCAÇÃO- “HISTÓRIA DE VIDA”
MEU CAMINHAR NA EDUCAÇÃO- “HISTÓRIA DE VIDA”
Me chamo Beatriz Silva Almeida, tenho 25 anos, filha de Ednaldo Leite Almeida e Antônia Aparecida Silva Almeida, tudo começou quando minha irmã mais velha pediu aos meus pais uma irmãzinha, e eles lhe concederam o pedido, vim ao mundo no dia 26 de outubro de 1996, meus pais são de família humilde, meu pai é pedreiro, e minha mãe dona de casa, eles não tiveram a oportunidade de estudar, desde adolescentes tiveram que trabalhar para ajudar seus pais sustentarem a família, não conseguiram nem terminar o 2º ano do ensino fundamental, tenho muito orgulho deles de terem conseguido de pouco a pouco conquistar muitas coisas, uma casa, família, mesmo sem uma base financeira boa.
Eu me sinto privilegiada por ter a oportunidade de estudar, a primeira experiência na educação infantil foi na escola Arminda Maria Azevedo, entrei na escola com aproximadamente 5 anos de idade, tive dificuldades para me adaptar, chorava todos os dias e corria para a sala da minha irmã que estava na 4º série, depois de muito engole choro, consegui me adaptar, apesar de não ter tido tanta influência nos estudos, leituras em casa, cobrança para se dedicar mais, fui usufruindo apenas da educação básica ofertada pela escola pública, repeti o 1º e o 2º ano, tinha muita dificuldade em matemática e um pouco em português também, me lembro do 1º ao 3º ano tinha muitos testes, provas, trabalhos de pesquisa, e eu não tinha computador em casa e muito menos internet, toda vez que tinha algo para pesquisar, eu tinha que me deslocar para a biblioteca municipal, e lá tinha os livros com as informações que eu precisava, por um lado foi muito boa essa época, aprendi bastante e isso agregou para o meu crescimento intelectual e como pessoa, nada melhor do que as experiencias para nos fazer evoluir.
Assim que entrei no Ensino Médio, ainda não pensava em o que gostaria de me especializar, fiz o curso de contabilidade com duração de 4 anos, nesse tempo fiz o ENEM umas 4 a 5 vezes, trabalhava em uma farmácia o dia todo, e o tempo que sobrava eu estudava para tirar uma nota boa em redação, eu tinha vontade de estudar Fisioterapia, porém não tinha como eu me manter em outra cidade, entaõ optei por tentar alguma faculdade aqui mesmo em Brumado, fiz o vestibular para tentar passar em direito, mas não passei, me inscrevi para UPT- Universidade Para Todos e dei continuidade aos estudos, até que fiquei sabendo que a UNEB estaria ofertando o curso de Pedagogia, resolvi me inscrever e coloquei minha nota do SISU, passei e agora começa a parte em que veio uma mistura de sentimentos.
Eu não tinha muita noção do que se tratava a Pedagogia, pesquisei sobre, quais áreas que eu poderia estar atuando, então arrisquei e comecei a estudar, já de início tivemos dificuldades com o curso, quase que o curso de Pedagogia não foi aceito, me ocasionou um sentimento de desespero misturado com será que é porque não é para ser esse o curso, então foram surgindo várias dúvidas e inseguranças, mas, depois de muita luta, reivindicação, deu certo, e cá estou eu no 7° semestre, no primeiro semestre lembro que o professor Marculino nos trouxe uma linda reflexão que foi o que me fez permanecer no curso, vou dizer com minhas palavras mas mantendo a linha de raciocío dele, ele reflete que apesar de a pedagogia não ser uma profissão "valorizada" financeiramente, não devemos deixar que alguém nos ofenda em dizer que esse curso não dá rendimento, que não vale a pena, porque só você pode se dar o valor, não importa qual profissão você escolher, só depende de você mesmo correr atrás para evoluir, ele diz que muitos que formam colocam o diploma embaixo do braço e aceita migalhas, aceita ouvir julgamentos, então assim eis a problemática, quero ser como uma galinha ou uma águia?
No livro "a águia e a galinha" - uma metáfora da condição humana, escrito por Leonardo Boff, traz ótimos conselhos para leitores contribuindo a crescerem humanamente, ele traz a ideia que todas as pessoas têm a dimensão galinha, que é a inserção no mundo concreto e suas limitações, estar preso a zona de conforto, não acreditar em seu potencial e a dimensão águia, que são os sonhos e a vontade de crescer, sentir a força e a coragem de enfrentar os desafio, mas não é apenas sentir, é ir lá e fazer acontecer, muitas das vezes temos dúvidas sobre o que fazer da vida, é preciso tentar encontrar o seu equilíbrio. Não seja como a galinha, vivendo nos limites do galinheiro e nem apenas como a águia. É preciso ter prudência e sabedoria, firmar os pés no chão, mas com os olhos no horizonte. Vai por mim, vale a pena acreditar em seu coração de águia.
Não foi fácil chegar onde eu estou, mesmo com as inseguranças decidi continuar o curso, acordar todos os dias pensando com positividade, de acreditar que o melhor sempre está por vir, durante esse meu processo cresci bastante, amadureci de uma forma muito significativa, confesso que a vontade de desistir sempre esteve de escanteio, mas a força, o foco e a fé, me mantêm de pé, muitas vezes me sinto deslocada no curso, um pouco perdida, tenho algumas dificuldades de acompanhar o ritmo da turma, eu sei que nem todos são iguais, cada um dança conforme sua vida toca, tento não me cobrar tanto com relação a isso para não surtar e me frustrar de vez, cada um carrega sua cruz, cada um sabe onde doi, problemas não se mede, então assim, a cada dia estou buscando me conhecer mais e entender o meu lugar na Pedagogia.
Bom nesse parágrafo irei expor de forma resumida algumas fases difíceis que passei, que para mim represento como experiências que precisei passar para me tornar a pessoa forte que sou, se bem que muitas das vezes não penso assim, que sou fraca, que não vou conseguir sair do fundo do poço... Porém, toda vez que vem esse desânimo, depressão, ansiedade, eu me asseguro em Jesus, claro não só em momentos difíceis que devemos interceder por ele, nos momentos de glória também, então me cobro isso de estar ao lado de Jesus em todas as fases, algo que me faz olhar para frente e a renascer de uma decepção, um momento de dor e sofriemnto, é lembrar de Jesus na cruz que morreu por mim, e trago uma frase em pensamento, que "Deus jamais irá me dar uma cruz em que eu não possa carregar", mesmo que eu não mereça tanto amor e cuidado, ele sempre está aqui para me socorrer, me fazer lembrar, que sou filha dele, e que ele está me observando para gir no momento certo, neste exato momento está passando um filme em minha cabeça, mas com o sentimento de gratidão a Deus! Vamos lá aos acontecimentos, em alguns momentos eu me sentia um pouco excluída na faculdade, acho que por eu ser do jeito que sou, as pessoas tiravam conclusões da forma que me viam, eu apesar de não parecer, sou uma pessoa tímida, então muitas vezes prefiro ficar quietinha no meu canto, no começo a situação era mais drástica, mas agora nesses últimos semestres as coisas começaram a melhorar, procuro ter uma boa convivência com todos, e a chave disso é mantendo o respeito e empatia em primeiro lugar. Quando comecei a faculdade em 2018 eu tinha uma relação estável, morava eu e meu ex em uma casa alugada, já tinhamos 5 anos de relacionamento, era uma fase bem complicadinha pq ele trabalhava viajando e eu morava sozinha praticamente, só via ele, sábado e domingo, e toda vez que ele ia viajar era uma angústia, já me batia uma depressão, desânimo, um medo que eu não sabia decifrar, acredito que uma parte era dependência emocional e a outra era a vontade de ter um relacionamentao onde a pessoa estivesse mais perto de mim, participar dos eventos diários, muitas águas e terapias rolaram nesse período, em 2019 veio o fim do meu relacionamento, me senti como se tivesse caído de um penhasco e me quebrei em pedacinhos, chorava todos os dias, acordava com uma sensação de luto, se bem que era realmente um luto, eu dei sorte que nessa época a faculdade entrou de greve então eu pude sofrer com dignidade, depois de todo esse pesadelo fui me reerguendo, as aulas voltaram e eu já me sentia mais firme em continuar minha vida, mas depois de 4 meses do término, o bonito apareceu de novo e aí voltamos, mas dessa vez as coisas começaram a encaminhar de outras formas, foi bem melhor, mudamos como pessoa, aprendemos bastante, acredito que em 2020 veio a pandemia e ele teve que procurar um emprego aqui na cidade, pois estava impossibilitado de viajar por conta do vírus, por um lado foi bom, estava tudo dando certo, eu focada na faculdade e vida que segue, em 2021 tive o diagnóstico que tenho otosclerose, você deve estar se perguntando que isso? porque nem eu sabia também, segundo o https://www.google.com/ ... Otosclerose é causada pela reabsorção e crescimento anormal do tecido ósseo que resiste, que interfere na condução das vibrações sonoras da orelha para a orelha interna. Traduzindo: preciso usar um aparelho auditivo para que possa ouvir com mais clareza, sem que eu precise estressar as pessoas por pedir para repetir a fala por mais de 2 vezes, estou aguardando o SUS me chamar para dar prosseguimento nessa conquista, porque não tenho condições de comprar os aparelhos porque minha perca auditiva é bilateral, ou seja, dos dois lados, confesso que não é fácil, isso atrapalha um pouco meu rendimento, porque além de não conseguir entender muitas das vezes de primeira, eu escuto a todo o instante a pulsação, então assim é uma loucura aqui dentro, tem hora que me estressa demais, ainda mais quando a ansiedade ataca, que o coração acelera mais, a respiração fica ofegante, aí faz que o barulho aqui dentro fique mais pertubador, essa minha condição atrapalha muito, mas vou levando minha vida assim, entrando agora no ano de 2022, oh ano que está pesado viu, nossa!!! sei nem como começar, já até senti uma dor nas costas, porque oh cruz pesada, mas bora lá, esse ano começou muito bem até, comecei a treinar, ter uma vida mais saudável, relacionamento dando certo, estávamos noivo, conquistando de pouco a pouco nossos objetivos, comecei a trabalhar pela lyceu porque foi o único lugar que me deu oportunidade de emprego e eu preciso de uma renda, comecei estagiar em fevereiro, em março eu já queria desistir da faculdade, sair da Lyceu, juro pra ti, veio um surto pesado, ser professor é doloroso, pelo menos a experiência que estou tendo me faz pensar assim, eu ia para a faculdade de lá para a escola, da escola para casa, quando eu chegava chorava de tão cansada que estava psicologicmamente e de achar que escolhi o curso errado a essa altura do campeonato, faz 7 meses que estou estagiando e depois de muito choro, me "acostumei", me sinto exausta, juro que se eu tivesse tido essa experiência que estou tendo nos 3 primeiros semestres tinha desistido, o que me conforta em continuar é por ter passado por tantas tribulações, e por saber que posso usufruir da Pedagogia em outras áreas, não necessariamente preciso estar em sala de aula, então isso me acalma mais, e estou aqui firme e forte, nem tão firme e também nem tão forte, só bora....
Quando faço a expressão "oh ano pesado", é porque é a melhor definição que encontrei, veio o 6° semestre daquele jeito com a abençoada disciplina de Estágio como Pesquisa II na Educação Infantil, o mês de maio em diante me senti dentro de uma montanha russa sem freio, começou a semana de estágio, insegurança a mil de achar que não ia dar conta, mas graças a Deus já adianto aqui deu certo, Deus abençou e foi tudo conforme tinha que acontecer, continuando...nessa mesma semana de estágio meu relacionamento chegou ao fim, outra queda no penhasco porque a primeira não matou, mas essa foi quase, mas Jesus está sempre aqui, então está tudo certo, após esse ocorrido tive que continuar o estágio , porque o mundo não ia parar para mmi sofrer, então eu ia mal mesmo, quando sentia que não dava para segurar ia no banheiro, de lá já ia para a outra escola e mais uma vez tinha que estar bem pas as crianças, mas não era fácil, algumas vezes eu chorava na sala porque as crianças que dou aula me conhecem super, então elas percebiam que eu estava diferente, vinham me abraçavam, falavam que me ama, que estava com saudade, que eu estava linda, então assim passei um sufoco arretado, psicológico abalado 100%, até eu me pergunto como consegui, nesse processo eu estava sendo orientada por um psicólogo, então assim, ativei o modo automático, com o objetivo de sobreviver apenas a todo o caos, em junho dia 13 meu vozinho foi descansar em Jesus e no dia 14 sofri um acidente de moto onde fraturei o cóccix, foi dias de dores e de provações, me sentia no fundo do fundo do poço, renasci novamente das cinzas. Finalmente 7° semestre, glória a Deus, se me perguntar como estou, só sei dizer que estou em paz, mas psicologicamente exausta, sinto que preciso desacelerar, parar para processar um pouco, só quero que o final do ano chegue, que eu fique de férias, para que eu possa olhar um pouco para dentro de mim, respirar um pouco e descansar, recarregar as forças e continuar meu processo de ressignificação, me sinto perdida, atordoada nesse semestre, mas acho que é por conta disso, estou mentalmente cansada, tô esgotada demais, queria muito poder focar somente na faculdade, mas não dá preciso trabalhar também, e o que me ajuda bastante é treinar, eu amo treinar, é a melhor parte do meu dia, traz ótimas contribuições para mim, é minha terapia diária.
Chega não é? o clima pesou um pouco aqui, vou tentar amenizar a situação aqui, apesar de já ter dito como caí de para- quedas na Pedagogia, eu não escolhi o curso, ele quem me escolheu, resolvi abraçar a oportunidade e conhecer mais sobre esse campo, a matéria que mais gostei e me identifiquei foi de Psicologia da Educação, gostei demais das reflexões, de estudar as ideias presente no livro "Desenvolvimento humano, cujo autores são Diane Papalia e Ruth Duskin, um dos assuntos bastante interessante presente nesse livro foi sobre os estágio de desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial do ser humano desde o período pré- natal (concepção ao nascimento) até a vida adulta, segundo as teorias de Piaget. Me identifiquei bastante com conteúdos relacionados a área da psicologia, inclusão, desenvolvimento humano, psicomotricidade, psicopedagogia, algo relacionado a isso chama bastante a minha atenção.
É um caminho árduo a vida acadêmica, más cá estou eu, tentando fazer 1% todos os dias, conforme minha realidade, as minhas vivências, minha luta diária, confesso que estou cansada, buscando manter a positividade e motivação, buscando controlar a ansiedade, as angústias, tendo como foco o sucesso pessoal, acredito que meu momento vai chegar e vou vencer, as coisas irão melhorar.
"Muitas vezes é preciso perder o chão para entender que é possível voar"

Bia, você como sempre me surpreendendo, sinto muito orgulho de te, sei o quanto é difícil certas situações. Mas que bom, VOCÊ venceu, venceu porque é uma mulher decidida, é dedicada, e isto, ninguém nunca vai tirar de te, e consequentemente, todo o seu compromisso consigo e esse empenho, lhe trará muitos frutos. Viva o processo e sempre apenda com as experiências.
ResponderExcluirObrigada pelas palavras de carinho S2
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